Laboratórios do Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá passam por modernização e melhorias de infraestrutura. Serão mais de R$ 4 milhões em recursos públicos destinados a quatro ambientes instalados no complexo de inovação do Pará. O apoio financeiro nesses espaços vai impulsionar a prestação de serviços especializados e contribuir para o desenvolvimento econômico e sustentável local.

Por Ascom Fundação Guamá
Os laboratórios do PCT são referência na prestação de serviços especializados e contribuem para o desenvolvimento sustentável da região amazônica. Os valores aplicados vão melhorar as funcionalidades técnicas dos laboratórios, impulsionar pesquisas e gerar impacto positivo para o mercado regional. O investimento na ampliação e manutenção de equipamentos representa um avanço para a pesquisa aplicada, resultando em produtos e processos competitivos, alinhados às demandas do mercado.
O recurso financeiro foi aprovado por meio do projeto “Fortalecimento da Infraestrutura Tecnológica e Empresarial para Inovação Sustentável da Amazônia”, selecionado em chamada pública da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que buscou propostas para recuperação e modernização de ambientes de pesquisa e equipamentos. O projeto foi submetido pela Fundação Guamá, instituição que gerencia o parque. “Trabalhamos em parceria com os laboratórios de oleaginosas, de alta tensão e de biotecnologia. É nossa missão submeter projetos, porque fortalecer a estrutura é fortalecer nossa capacidade de captação, de oferta de serviços e de treinamento”, acrescenta João Weyl, diretor-presidente da Fundação Guamá.
Laboratórios do PCT beneficiados
Os laboratórios instalados no parque e contemplados são o Centro de Estudos Avançados da Biodiversidade (Ceabio), o Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (Cvacba), o Laboratório de Alta Tensão (Leat) e o Laboratório de Óleos da Amazônia (Loa), todos da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Para o pesquisador Júlio Pieczarka, coordenador do Ceabio, que oferta serviços a empresas e organizações interessadas em informações sobre a riqueza biológica da região nas áreas de saúde e cosméticos, a recuperação de equipamentos é fundamental. “Com o passar do tempo, os equipamentos muito utilizados acabam apresentando dificuldades de funcionamento e, muitas vezes, ficam obsoletos. Com esse apoio financeiro, será possível aumentar a produtividade do grupo, no sentido de que novas técnicas poderão ser aplicadas e mais pessoas poderão trabalhar. Consequentemente, teremos uma maior capacidade de atender às necessidades da comunidade e prestar serviços por meio do PCT.”
O recurso destinado à manutenção de equipamentos também será fundamental para manter o padrão das atividades realizadas pelo Loa, especializado no estudo e controle de qualidade de insumos amazônicos. “Isso vai permitir a recuperação de equipamentos adquiridos ao longo de diferentes projetos, garantindo a continuidade da pesquisa, da inovação e do desenvolvimento de novos produtos e tecnologias, que é o objetivo principal do Laboratório de Óleos da Amazônia nessa parceria com o parque – um ambiente que utiliza a pesquisa e a ciência para desenvolver tecnologias que permitam inovar”, reforçou Luís Adriano Nascimento, vice-coordenador do laboratório.


Marcus Vinicius, coordenador do Leat, explica que o laboratório será beneficiado com dois equipamentos que vão potencializar os ensaios de alta tensão, avaliações fundamentais para certificar a qualidade e a robustez da isolação de equipamentos, além de promover ganhos na atualização dos sistemas utilizados no local. “Atualmente, o laboratório não dispõe desses equipamentos para a realização de ensaios de medição de capacitância e fator de perda da isolação. Essas novas aquisições vão ampliar nosso portfólio. O laboratório estará ainda mais dotado de infraestrutura para atender ao mercado de energia da região e também no âmbito da pesquisa”, explicou. O Leat oferece ao setor energético, bem como aos fabricantes de equipamentos elétricos, os mais variados ensaios elétricos em alta tensão, tanto na frequência industrial quanto em tensões e correntes impulsivas.



As melhorias para o Cvacba vão fortalecer a bioeconomia no Norte do país, detalha Fábio Moura, coordenador do centro. O grande destaque será a atualização do sistema de Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (HPLC), que passará a contar com um sensor de fluorescência. Na prática, essa melhoria técnica vai proporcionar uma capacidade analítica muito mais sensível, permitindo que o laboratório realize testes que antes não faziam parte de seu escopo. A principal novidade será a detecção de micotoxinas em matérias-primas da sociobiodiversidade amazônica. A presença de micotoxinas em alimentos como a castanha-do-pará e as amêndoas de cacau, por exemplo, é uma preocupação de saúde pública e um dos maiores gargalos para a exportação e comercialização desses produtos. Até então, cooperativas e empresas locais enfrentavam dificuldades para encontrar esse tipo de demanda analítica na região. “Com essa nova infraestrutura, o laboratório passa a oferecer um suporte técnico que impacta diretamente a competitividade das empresas do Norte. A viabilização deste projeto contou com a atuação fundamental da Fundação Guamá. A integração entre a pesquisa acadêmica de ponta e a gestão de inovação do PCT Guamá reforça o compromisso de transformar conhecimento científico em valor agregado para os produtos da floresta”, reforçou Fábio.





Investimento do Governo
A seleção pública da Finep para recuperação e modernização de ambientes de pesquisa, realizada em 2023, teve como objetivo fomentar a cooperação entre as Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) e as Fundações de Amparo à Pesquisa, de modo a garantir a sustentabilidade e a operacionalidade dos laboratórios. Entre os objetivos da Finep estão ainda restaurar e atualizar equipamentos de pesquisa em laboratórios de ICTs em todo o país, com vistas a criar um ambiente favorável ao desenvolvimento científico e tecnológico, com qualidade internacionalmente reconhecida; aumentar a competitividade brasileira em diversas áreas do conhecimento, por meio da realização de pesquisas; e incentivar a prestação de serviços, utilizando a infraestrutura instalada, a empresas de base tecnológica, estimulando assim o processo de inovação.


