Laboratório investe em tecnologia voltada à verticalização de biomas amazônicos

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Por Carol Menezes (Secom)
Fotos: Alex Ribeiro/Ag. Pará

Com o foco no uso de tecnologia inovadora e limpa voltada ao desenvolvimento da bioeconomia do Pará, o Laboratório de Tecnologia Supercrítica (Labtecs) deve inaugurar um novo capítulo relacionado ao uso de matérias-primas para mais e novas finalidades. Criado há nove meses, com investimentos do Governo do Estado, por meio do Programa BioPará de estímulo de crescimento da bioindústria, da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), o Labtecs está instalado dentro do Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá (PCT/ Guamá) como um centro especializado na análises de frutos, plantas e outros biomas com fluidos supercríticos, a partir de demandas dos setores acadêmico e industrial para a criação de produtos com alto valor agregado.

A história do Labtecs é construída dentro da Universidade Federal do Pará (UFPA), a partir do Grupo de Pesquisa de Tecnologias Aplicadas em Recursos Naturais e Meio Ambiente da Amazônia (Gtec Amazônia). A equipe é composta por mestres e doutores da área da saúde e da engenharia de alimentos dedicados a desenvolver processos com a excelência que a tecnologia fornece e promovendo o desenvolvimento da região.

O coordenador do Labtecs, Raul Nunes de Carvalho Jr, diz que metodologia ajuda a agregar valor às frutas da região

Segundo o coordenador do Labtecs, Raul Nunes de Carvalho Jr, o diferencial é justamente a metodologia usada, até o momento considerada pioneira na região Norte. “Trata-se de uma tecnologia que usa o solvente no estado supercrítico, que é uma fase da matéria em que o fluido se comporta com as melhores propriedades físico-químicas. Dessa forma conseguimos penetrar nas estruturas celulósicas para solubilizar um composto de interesse. Muito útil quando a gente quer trabalhar com extração de óleo vegetal, por exemplo, e é um processo seletivo – a gente consegue em estrutura de plantas, de frutas, transporta e separa o soluto do solvente que a gente usou”, detalha Raul Nunes, que é engenheiro químico com doutorado em Engenharia de Alimentos e também está à frente do Gtec.

Essa “visão mais apurada” de cada uma das estruturas permite a descoberta de novos fármacos, novas moléculas, que podem servir à área farmacêutica, medicinal, de alimentos e tantas outras. “Assim, conseguimos agregar valor às frutas da região, como açaí, muruci, cupuaçu, bacuri, que não tem valor agregado, comercial, mas com aplicação tecnológica a gente consegue desenvolver. É uma verticalização que a gente promove do bioma da Amazônia”, destaca o coordenador.

Interesse – O Labtecs já conta com parcerias de empresas para desenvolver novos processos e produtos e atua também na formação de recursos humanos, recebendo acadêmicos de mestrados, doutorados e pós-doutorados. “A demanda é muito grande, há uma corrida em cima dessa tecnologia”, confirma. A expectativa em relação ao açaí, por exemplo, é de uma grande transformação em toda a cadeia produtiva a partir da possibilidade de sua comercialização em outros formatos que não em polpa, que custa caro no transporte e na conservação.

“Com essa tecnologia pode-se obter o açaí em pó, separar várias substâncias do fruto, uma parte de óleo vegetal e manter a estrutura dele sólida, eliminando todo esse custo”, sugere Raul, informando que o Labtecs já analisa substâncias presentes no muruci, no cupuaçu, na bacaba, no bacuri e na pupunha, entre outros. “Já o muruci tem uma quantidade significativa de luteína, substância muito importante para diminuir a incidência de problemas oculares, e que pode futuramente estar presente em produtos da indústria alimentícia. O jambu é um dos próximos da nossa lista de análises no laboratório”, aponta.

As possibilidades são tantas que nem mesmo ele consegue vislumbrar a capacidade de contribuição do Labtecs mesmo em um futuro a curto prazo – em seis meses, por exemplo. “A biodiversidade é muito grande, e não estudamos ainda nem 2%, 3% dela. E essa tecnologia pode transformar esses percentuais em uma riqueza infinita. Economicamente, não consigo mensurar”, reconhece o coordenador.

A engenheira de alimentos Maria Caroline Rodrigues Ferreira destaca as possibilidades de pesquisa que o laboratório oferece

Aplicação – A engenheira de alimentos Maria Caroline Rodrigues faz parte da equipe do laboratório por conta do doutorado que faz em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela UFPA. No dia a dia ela também cuida da gerência de marketing do Labtecs e atua ainda como assistente administrativa.

“Cada aluno trabalha com uma matéria-prima específica, faz um estudo completo sobre melhores condições de extração, de acordo com a substância que se deseja obter. Depois dessa avaliação, buscamos uma aplicação, seja como alimento, suplemento, farmacêutica, buscamos parcerias para desenvolver esse potencial”, relata.

Para a acadêmica, é gratificante ver, na prática, a teoria aplicada em benefício da sociedade. “Esse conhecimento da tecnologia supercrítica já temos há algum tempo, eu estudei no mestrado também, e quando apresentamos para quem não conhece, a reação é de muita surpresa em saber que conseguimos desenvolver isso aqui dentro”, confirma.

 

 

 

 

 

 

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